de laços…

carla carmen and louie

Hoje recebi esta foto. A menina da direita sou eu. A menina da esquerda é a minha prima Carmen que entretanto cresceu e o menino do meio é o nosso terceiro primo Louie que cresceu também e se tornou um adulto triste. Estamos nos Estados Unidos num casamento que entretanto descresceu e temos na mão um cesto de flores. Lembro-me que achei as flores lindas, que adorei as que me puseram no cabelo e que fiquei triste por não ter uma echarpe como a da minha prima, mas o pano não chegou! Era tudo rosa e brilhante. Eram os anos 70 e os Pink Floyd cantavam The Wall.

carlota

A menina aqui de cima sou eu agora. Redondita! A Carmen cresceu e teve uma filha. Eu também. Ambas as tivemos sem precisar de um marido e sem o termos combinado ou discutido, porque a distância não nos permitiu desenvolver esse tipo de laço. Mas sem sabermos e por trajectos diferentes acabámos as duas com duas miúdas extraordinárias nas nossas vidas.

Hoje a Carmen é uma amiga preciosa. E as adultas que somos aproximaram-se e desenvolveram um amor imenso pela filha uma da outra como se tivessemos crescido juntas, como se eu a tivesse visto nascer.

O mesmo não se passa com a senhora abaixo

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A senhora acima fez-me escrever sobre ela e é suposto eu dizer que é M A R A V I L H O S A.

Confesso que com o tempo ela desenvolveu uma certa generosidade. Lá vai arranjando uns portadores e de África chegam-me coisas à Asia que me deixam muito contente. No ultimo ano, no entanto, a coisa tem estado parada. Que eu não lhe mando nada, diz ela. Queixa-se. Quase que a sinto a gemer. E isto entristece-me porque cresci a aprender que a mão direita não deve saber o que a mão esquerda dá.

Mas o facto é que a senhora ali de cima, a Pepé, não é prima, não crescemos juntas, cruzámo-nos profissionalmente no remoto 1998 e penso que ela assim que me viu ficou irremediavelmente cativada. De forma a que eu me apercebesse e por certo apenas com o intuito de chamar a minha atenção, fez-me pagar-lhe cafés numa base diária durante anos (na verdade não eram apenas cafés mas a minha mãe lê este blog – havia alcool, ela consumia alcool!), segurar-lhe a mão enquanto era tatuada – não no sentido de lhe dar força mas simplesmente para não a deixar chegar ao tabaco, segui-la nas lojas para voltar a pendurar os items que ela ía espalhando (saldos em lojas terriveis onde em varias situações praticamente a salvei de caixotes com pilhas de roupa em promoção puxando-a pelas pernas antes de ela ser engolida mas ainda assim permitindo-lhe apanhar a ultima blusinha estilo star trek na melhor fibra sintética). Esta é a pessoa que levava o seu cão de visita a minha casa aproveitando para treinar as suas rotinas de higiene e reclamando de eu lhe dar o Publico e não o Expresso, com paginas relativamente maiores, para lhe aparar o xixi. O xixi escorria na minha sala de estar provando a inclinição do soalho polido, brilhante, recém restaurado. Refiro-me claro, ao xixi do cão (descansa em paz Bubinha!)Esta é a pessoa que não deu o meu nome a nenhum dos filhos usando o facto de eles serem rapazes como desculpa apesar de eu ter limpo o xixi do cão dela, lhe ter pago os cafés, apanhado as roupas, e lhe ter enviado coleiras de marujo para todos os animais domesticos em Moçambique pondo-os quase tão  bonitos como os miudos Von Tramp.

apesar de tudo Pepé, pronto toma lá, sinto a tua falta. Estou certa de que 1h contigo me faria ter saudades da distância, mas ainda assim, e apesar das sessões diarias de skype que nos impedem de produzir trabalho e eventualmente subir na vida., sinto a tua falta.

Um dia faremos plásticas juntas e não nos riremos disto por causa dos pontos.

beijo

…de preguiça

DSC03329às vezes venho ver o blog. Leio os ultimos textos e acho-os embaraçosamente ridiculos. Por vezes olho para as estatisticas e os números são pequeninos pequeninos…até faz pena!

É tudo tão relativo e frágil.

Este blog e o Blogui já foram tão importantes na minha vida e representavam uma parte tão significativa dos meus dias. Fiz amigos através dele. Amizades daquelas que não se querem perder e em que se sente a sorte de nos termos cruzado com estas pessoas. Através do blog pessoas conheceram outras pessoas e estabeleceram não só relações de amizade, mas também relacões de uma solidariedade incrivel.

Não escrevo aqui há um ano. E todas as entradas que leio são de um vazio de conteúdo que me faz questionar se não serão simplesmente um reflexo de mim e daquilo em que me transformei.

A vida muda-nos, não é? Ou as circunstâncias. As nossas circunstâncias. Há momentos em que sentimos que o que estamos a viver não deve ser partilhado. Quando o que vivemos envolve outros, por exemplo. E é tão marcado pela presença de outros que não podemos relatar os nossos dias sem os incluirmos, mas sentimos que não temos o direito de os expôr. Como o meu casamento, por exemplo. O Gonçalo é discreto. Não fala de si aos outros. Falar de nós aqui seria uma espécie de traição à forma dele estar na vida. E a Gui cresceu e tem o seu pequeno blog e o direito de escolher o que quer e não quer que seja partilhado. Mas curiosamente, e porque o Blog tinha um papel tão significativo na minha vida, ambos estranham não fazerem parte dele. O Blogui acompanhou uma Gui pequenina, o The Great Craft Disaster uma Gui a quem a mãe tentava fazer coisas. É um registo do processo de crescimento dela que eu poderia ter feito discretamente em casa num Álbum, num Diário, mas que por várias razões fiz aqui. Há um pedaço da vida dela que falta – 4 anos. Os últimos 4 anos, que foram vividos a 3 e não a 2.

Nestes 4 anos crescemos como familia e aprendemos a respeitar e a valorizar os espaços de cada um. Este é o meu espaço e é um espaço que me faz falta. Não faz falta todos os dias. Talvez não faça falta sequer todas as semanas. Mas faz falta quando faz falta e isso é o suficiente.

Quando fizer falta, virei cá…

de Natal…

natal

O Natal passou devagar, com tempo, com tudo feito a horas, com um menu que se torna lentamente tradição; pato lacado.

não se respeita a hora e abrem-se os presentes.

surpreendentemente conseguimos nos surpreender com as surpresas que encontramos escondidas nas lojas de Dili e que prontamente levamos para casa.

Na véspera vimos  “Life of Pi”a 3D, no novo cinema, em Dili…

eu disse a 3 D no novo cinema em Dili.

sim, em Dili!

Feliz Natal! Não sei bem a quem desejo isto porque ninguém conhece o novo url do blog. Mas ainda assim, Feliz Natal e paz na Terra mesmo aos Homens de má vontade.

3 D no novo cinema em Dili! 3D!

No período em que fazia activamente ursos, não trabalhava.

O primeiro urso que fiz com o tecido de uma saia de pêlo comprada num momento pouco inspirado deu-me um especial prazer. É o urso da minha filha e ela como boa menina que é fingiu durante algum tempo gostar muito muito dele!

Os ursos nunca me deram especial gosto a fazer porque não são fáceis. Requerem imenso trabalho e atenção e quando estão a ser montados, magoam imenso os dedos.

Esta semana voltei a fazer um para oferecer ao filho de uma amiga que fazia um ano. Apenas porque queria que ela percebesse que a data era compreendida como importante para nós. Estranhamente, as tarefas morosas deram-me um prazer enorme. O desafio de encontrar materiais básicos alternativos numa terra onde não há nada e o que há nao tem qualidade, transformaram por completo o processo. E assim foi feito um urso para o pequeno Kaito. E mais se seguirão sem que eu tenha a minima ideia do que vá fazer com eles. Mas ao fim de uma série de anos finalmente, e apesar de continuar a furar dedos ao montá-los, sinto uma enorme paz ao cortar e coser e picar-me. E sentia falta disso.

…de gata Tia

A pequena Tia apareceu nas nossas vidas no Sábado de Aleluia depois de um descuido meu em que mencionei ao veterinário local que gostariamos de ter um gatinho muito pequenino para o cão ter oportunidade de se habituar a ele e vice-versa. Nessa tarde recebemos um telefonema de um Hotel local a pedir para irmos escolher um bichinho ao parque de estacionamento. Depois de dois dias de Gui a dar instruçoes à amiga para se rebolar debaixo dos carros estacionados enquanto ela dava as ordens, o bichinho foi apanhado e trazido para casa enrolado num plastico.

Ao ser lavado descobrimos que era branco.

Come e come e come e rebola-se aos nossos pés para ser coçado na barriga. É menina e chama-se Tia. 4 meses passados continuamos a ficar eprdidos a olhar para o bicho e as posiçoes irreais em que dorme. Esta coisinha pequena é profundamente meiga e sem que ninguem desse conta, conquistou um lugar, ocupou um espaço. Por vezes esquecemo-nos que estas coisas acontecem. Alguem entra nas nossas vidas, seja bicho seja gente, e toma-nos conta do coração e não temos uma palavra a dizer durante o processo porque quando damos conta a coisa está feita!

Seja bicho, seja gente.

E por isso a vida vale a pena.