Mês: Fevereiro 2008

  • CHILD LABOR CÁ POR CASA

     

    A menina já está saudável!

    eia eia

  • SERÁ A ANITA VINTAGE?

      

    Só tive um livro da Anita em miuda.

    Considerados antipedagogicos porque a menina fazia tudo muito rapidamente e na perfeição.

    Mas eu secretamente gostava muito daquilo. Adorava as ilustrações – eram um contraste interessante ás modernistas dos livros que tinha em casa.

    Gostava da Anita no Jardim, onde num só dia ela concebeu um jardim inteiro e ainda construiu um represa no riacho, e as estações mudaram em duas páginas e os pais deixaram-na pintar ferro com tinta branca e em  nenhum momento do processo houve uma única intervenção de um adulto responsável.

    Cá em casa, por falta de um adulto responsável, tenho que ser eu a supervisionar as actividades da minha filha.

    Hoje descobri via Planeta Tangerina que os Franceses andaram a brincar com a miuda.

    Porque não me lembrei de fazer eu isto antes!!!!???

     E ainda: o Inferno voltou oficialmente a existir (Via xicórias e xicorações . Interessante, como sempre).

  • Han?

     

    Quando era miuda ía-se ao sábado ao mercado. Um edificio coberto dividido por sectores. Entrava-se e do lado direito à esquerda, estavam as padarias e os talhos. Ao lado umas escadas que davam acesso ás frutas e legumes – os produtores locais de um lado e os outros do outro. Na parte de fora os tremoços de todo o tipo e as coisas de semear.

    Mas a minha parte favorita era a zona do peixe – logo a seguir ás flores não muito longe do pão.

    A zona do peixe estava permanentemente inundada. saltava-se de poça em poça. tinha cheiros estranhos mas não desagradáveis, falava-se muito alto e o peixe estava coberto de pedras gigantescas de sal que ás escondidas eu apanhava… e gostava daquela acidez que me ficava na boca que me lembrava o mar.

    Hoje, mais de 10 anos depois, voltei à zona do peixe, que é limpa, sem cheiros e sem sal. Há pedras de gelo. E grita-se menos, mas continua-se a ouvir o diga lá minha linda, meu amor e meu anjo aquela coisa de peixeira que se aprende quando se vai para lá trabalhar mesmo quando nunca se passou a noite de pés na areia e credo na boca, como eu imaginava que as outras faziam. Não é que as outras alguma vez o tenham feito, mas eu cresci a ver a Faina e afins e quando se cresce em pseudo-ambiente de esquerda a classe trabalhadora tem que ser sofredora.

    Hoje pedi as 4 douradas e a miuda gira, morenona, matulona, mais ou menos da minha idade (miuda portanto), diz-me:

    – Oh amor são 10 euros e 3. Mas esteja descansada minha linda, que não lhe peço os 3 de volta que até parecia mal.

    – Han? -digo eu – Ahhh! exclamo vários segundos mais tarde. E saí de lá reconciliada.

  • AS NOVAS BOTIJAS ou COLECÇÃO PRIMAVERA/VERÃO!!!!

     

    As novas botijas chamam-se Mucas e foram feitas a pensar nas dores de cabeça e febres!

    e aquelas coisas irritantes de quando chega a Primavera,

    as febres dos mais pequeninos que precisam de mais uma ajuda para além dos Brufen e Benuron.

    não sendo tão frias como as de gel, mantêm no entanto a temperatura durante um periodo mais longo , e não têm de ser envolvidas antes de colocadas em contacto com a pele.

    podem como é lógico também ser utilizadas quentes. e o ideal seria ter duas para situações que exigem a alternância de frio com quente.

    ou até várias não  vá o padrão do saquinho chocar com as cores do pijama…

     

    Nota: a criança da foto não sofreu qualquer tipo de violência durante a produção das mesmas.

    Nota 2: esta semana mais padrões de sacos.

  • Domingo 10 de Fevereiro de 2008 – 14.32H

     

     

    “Sabes mamã, estive a pensar, o Pai Natal são as pessoas.”

  • …e mais Monstras

    na foto, 4 monstras. A maior é só mesmo minha!

    feitas da mesma forma destas galinhas, nas mesmas tardes quentes mas com brisa de Ubud, com o mesmo chá pelo meio e a conversa em frases com verbos no infinitivo.

     

    ficam aqui sossegadas à espera que alguém as leve para casa.

    na barriga, escondida, não há meninos que se portaram mal, mas apenas um saco para o que der e vier, no mesmo espírito deste

  • as tais monstras

    já tinha prometido falar delas
    acho-as tão tão feias que acabam por ser irresistiveis.
    e como todas as mulheres, monstras ou não, também têm segredos.
    mas estas abrem-se:
    e olhem o que lá está dentro:
    o saco é feito de pedaços de tecidos tradicionais javaneses
    os vestidos das monstras têm pedaços de velhas sedas
    e sabem para que são mesmo mesmo úteis?
    não me ocorre nada de momento…
    mas se as não tivesse feito acho que as teria mesmo de comprar!!!
    2 disponiveis
  • Gui, 5 anos e a perder um dente…

     

    Cansada de andar, cheia de xixi e ainda com algum caminho pela frente, a menina precisava de ser entretida. À falta de imaginação começo:

    – Boa Tarde como está a senhora? Vai para casa?- pergunto-lhe.

    – Sim, sim, tenho os meus filhos à espera e tenho imensos sabe?

    – Ai sim? Mas estão sós?

    – Não está lá a nanny, mas penso que ela não é muito responsável. Eu falo falo falo mas ela não me ouve.

    – Então e quantos filhos tem?

    – Bem, tenho 10. 12 são adoptados e os outros 4 fiz na minha barrriga?

    – Ahh então tem ajuda do pai desses, não é? ele fica lá a brincar com eles quando sai?

    – Não não. Nenhum tem pai. Fi-los sózinhos na barriga. Não encontrei nenhum rapaz inteligente…

  • …pra lisboa

     

    Há dias em que apetece fazer tudo à mão. Pegar em qualquer coisa, fio, pano, botões e construir um objecto sem que mais nada possa interferir.

    Há dias em que o nosso desejo ou a frustração de não conseguir controlar o que nos rodeia, ou o que nos afecta, ou o que interfere com o nosso trajecto, nos leva a pegar em fio pano botões e construir um objecto onde controlamos todos os passos.

    Sem máquinas de costura a desviarem-se para o lado que lhes apetece, sem bobines que não bobinam, sem agulhas que paralisam.

    Não, tudo assim na ponta dos nossos dedos. A crescer, a ganhar cor, a ganhar forma ou desforma.

    Mas a brotar como se fosse Primavera. E com joaninhas a trepar até chegarem lá ao cimo que não se sabe bem onde é, porque um cachecol é coisa mais ou menos redonda, mas que quando lá chegam abrem as asas e voam.

    Voam.

  • Do Carnaval

     

    contrariada vesti-a de Branca de Neve. Uma história de que não gosto, nunca gostei e que nada tem a ensinar aos meninos.

     é a menina tonta que vai para a floresta com um caçador, que entra na casa dos outros e come e dorme , que abre a porta a estranhos aceitando ofertas, e que é salva não pela sua astúcia, mas ficando para ali deitada até que vem um principe e faz o serviço.

    a branca de neve é linda porque é branca e rosada.

    e ela lá foi em azul e amarelo tipo bandeira do municipio, com os cabelos livres dos caracóis que a irritam, o batonzinho rosa e a mãe sem máscara mas armada de lenços de papel que limparam o nariz a 3 anões, o vomitado de um príncipe e secaram cabelos de 3 princesas mais incautas.

    e no fim do cortejo animado por meninas crescidas de cueca enfiada no rabo e mamilos semicobertos, ao som de tambores tocados por meninos crescidos devidamente cobertos com calça e camisa, mas ambos molhados pela chuva, ela pergunta: mas e o carnaval onde é?quando vamos?

    e regressa-se a casa onde ela corre a vestir fato de banho e manear o rabo, porque graças ao departamento de educação do meu municipio, as meninas da idade dela aprenderam hoje outras coisas que podem fazer: enfiar as cuecas no rabo e maneá-lo enquanto ritmicamente os meninos batem no tambor.

    e estranhamente ela estava quase feliz, porque passou duas horas rodeada de meninas exactamente iguais a ela. e esta sensação de pertença é quase tão importante como o pseudo rigor politico da mãe.