
tenho um brinquedo novo!
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Só tive um livro da Anita em miuda.
Considerados antipedagogicos porque a menina fazia tudo muito rapidamente e na perfeição.
Mas eu secretamente gostava muito daquilo. Adorava as ilustrações – eram um contraste interessante ás modernistas dos livros que tinha em casa.
Gostava da Anita no Jardim, onde num só dia ela concebeu um jardim inteiro e ainda construiu um represa no riacho, e as estações mudaram em duas páginas e os pais deixaram-na pintar ferro com tinta branca e em nenhum momento do processo houve uma única intervenção de um adulto responsável.
Cá em casa, por falta de um adulto responsável, tenho que ser eu a supervisionar as actividades da minha filha.
Hoje descobri via Planeta Tangerina que os Franceses andaram a brincar com a miuda.
Porque não me lembrei de fazer eu isto antes!!!!???
E ainda: o Inferno voltou oficialmente a existir (Via xicórias e xicorações . Interessante, como sempre).

Quando era miuda ía-se ao sábado ao mercado. Um edificio coberto dividido por sectores. Entrava-se e do lado direito à esquerda, estavam as padarias e os talhos. Ao lado umas escadas que davam acesso ás frutas e legumes – os produtores locais de um lado e os outros do outro. Na parte de fora os tremoços de todo o tipo e as coisas de semear.
Mas a minha parte favorita era a zona do peixe – logo a seguir ás flores não muito longe do pão.
A zona do peixe estava permanentemente inundada. saltava-se de poça em poça. tinha cheiros estranhos mas não desagradáveis, falava-se muito alto e o peixe estava coberto de pedras gigantescas de sal que ás escondidas eu apanhava… e gostava daquela acidez que me ficava na boca que me lembrava o mar.
Hoje, mais de 10 anos depois, voltei à zona do peixe, que é limpa, sem cheiros e sem sal. Há pedras de gelo. E grita-se menos, mas continua-se a ouvir o diga lá minha linda, meu amor e meu anjo aquela coisa de peixeira que se aprende quando se vai para lá trabalhar mesmo quando nunca se passou a noite de pés na areia e credo na boca, como eu imaginava que as outras faziam. Não é que as outras alguma vez o tenham feito, mas eu cresci a ver a Faina e afins e quando se cresce em pseudo-ambiente de esquerda a classe trabalhadora tem que ser sofredora.
Hoje pedi as 4 douradas e a miuda gira, morenona, matulona, mais ou menos da minha idade (miuda portanto), diz-me:
– Oh amor são 10 euros e 3. Mas esteja descansada minha linda, que não lhe peço os 3 de volta que até parecia mal.
– Han? -digo eu – Ahhh! exclamo vários segundos mais tarde. E saí de lá reconciliada.

As novas botijas chamam-se Mucas e foram feitas a pensar nas dores de cabeça e febres!
e aquelas coisas irritantes de quando chega a Primavera,
as febres dos mais pequeninos que precisam de mais uma ajuda para além dos Brufen e Benuron.
não sendo tão frias como as de gel, mantêm no entanto a temperatura durante um periodo mais longo , e não têm de ser envolvidas antes de colocadas em contacto com a pele.
podem como é lógico também ser utilizadas quentes. e o ideal seria ter duas para situações que exigem a alternância de frio com quente.
ou até várias não vá o padrão do saquinho chocar com as cores do pijama…
Nota: a criança da foto não sofreu qualquer tipo de violência durante a produção das mesmas.
Nota 2: esta semana mais padrões de sacos.

na foto, 4 monstras. A maior é só mesmo minha!
feitas da mesma forma destas galinhas, nas mesmas tardes quentes mas com brisa de Ubud, com o mesmo chá pelo meio e a conversa em frases com verbos no infinitivo.

ficam aqui sossegadas à espera que alguém as leve para casa.
na barriga, escondida, não há meninos que se portaram mal, mas apenas um saco para o que der e vier, no mesmo espírito deste




Cansada de andar, cheia de xixi e ainda com algum caminho pela frente, a menina precisava de ser entretida. À falta de imaginação começo:
– Boa Tarde como está a senhora? Vai para casa?- pergunto-lhe.
– Sim, sim, tenho os meus filhos à espera e tenho imensos sabe?
– Ai sim? Mas estão sós?
– Não está lá a nanny, mas penso que ela não é muito responsável. Eu falo falo falo mas ela não me ouve.
– Então e quantos filhos tem?
– Bem, tenho 10. 12 são adoptados e os outros 4 fiz na minha barrriga?
– Ahh então tem ajuda do pai desses, não é? ele fica lá a brincar com eles quando sai?
– Não não. Nenhum tem pai. Fi-los sózinhos na barriga. Não encontrei nenhum rapaz inteligente…

Há dias em que apetece fazer tudo à mão. Pegar em qualquer coisa, fio, pano, botões e construir um objecto sem que mais nada possa interferir.
Há dias em que o nosso desejo ou a frustração de não conseguir controlar o que nos rodeia, ou o que nos afecta, ou o que interfere com o nosso trajecto, nos leva a pegar em fio pano botões e construir um objecto onde controlamos todos os passos.
Sem máquinas de costura a desviarem-se para o lado que lhes apetece, sem bobines que não bobinam, sem agulhas que paralisam.
Não, tudo assim na ponta dos nossos dedos. A crescer, a ganhar cor, a ganhar forma ou desforma.
Mas a brotar como se fosse Primavera. E com joaninhas a trepar até chegarem lá ao cimo que não se sabe bem onde é, porque um cachecol é coisa mais ou menos redonda, mas que quando lá chegam abrem as asas e voam.
Voam.

contrariada vesti-a de Branca de Neve. Uma história de que não gosto, nunca gostei e que nada tem a ensinar aos meninos.
é a menina tonta que vai para a floresta com um caçador, que entra na casa dos outros e come e dorme , que abre a porta a estranhos aceitando ofertas, e que é salva não pela sua astúcia, mas ficando para ali deitada até que vem um principe e faz o serviço.
a branca de neve é linda porque é branca e rosada.
e ela lá foi em azul e amarelo tipo bandeira do municipio, com os cabelos livres dos caracóis que a irritam, o batonzinho rosa e a mãe sem máscara mas armada de lenços de papel que limparam o nariz a 3 anões, o vomitado de um príncipe e secaram cabelos de 3 princesas mais incautas.
e no fim do cortejo animado por meninas crescidas de cueca enfiada no rabo e mamilos semicobertos, ao som de tambores tocados por meninos crescidos devidamente cobertos com calça e camisa, mas ambos molhados pela chuva, ela pergunta: mas e o carnaval onde é?quando vamos?
e regressa-se a casa onde ela corre a vestir fato de banho e manear o rabo, porque graças ao departamento de educação do meu municipio, as meninas da idade dela aprenderam hoje outras coisas que podem fazer: enfiar as cuecas no rabo e maneá-lo enquanto ritmicamente os meninos batem no tambor.
e estranhamente ela estava quase feliz, porque passou duas horas rodeada de meninas exactamente iguais a ela. e esta sensação de pertença é quase tão importante como o pseudo rigor politico da mãe.