de pois claro…

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No doplet em frente ao meu senta-se um casal idoso Japonês. Descalçam-se e sobem. Recostam-se um em frente ao outro. Ele pega-lhe na perna pequenina, apoia-lhe o pé no joelho e massaja-o lentamente. Ela fecha os olhos e ajeita-se na almofada.

A imitacao da Hermes agita-se sobre o peito; a respiração vai ficando mais lenta, mais pousada, e ela cada vez mais pequena na almofada. E ele continua a massajar-lhe as pernas. E da eficiência passa à devoção. E cada toque é um acto de amor. E o sentimento passa-lhe das mãos para a sala. Para toda a sala. E invade as narinas, mistura-se no sate e todos comem e cheiram o amor velho que emana da mãos dele.

E os copos passam a ser pousados com menos vigor, as vozes baixam, e um grupo de estranhos de todas as cores, sufoca com o sentimento celebrando-o com o silêncio.

Talvez o amor só valha a pena se for assim; quando se solta dos dedos e invade os espaços

AS NOVAS BOTIJAS ou COLECÇÃO PRIMAVERA/VERÃO!!!!

 

As novas botijas chamam-se Mucas e foram feitas a pensar nas dores de cabeça e febres!

e aquelas coisas irritantes de quando chega a Primavera,

as febres dos mais pequeninos que precisam de mais uma ajuda para além dos Brufen e Benuron.

não sendo tão frias como as de gel, mantêm no entanto a temperatura durante um periodo mais longo , e não têm de ser envolvidas antes de colocadas em contacto com a pele.

podem como é lógico também ser utilizadas quentes. e o ideal seria ter duas para situações que exigem a alternância de frio com quente.

ou até várias não  vá o padrão do saquinho chocar com as cores do pijama…

 

Nota: a criança da foto não sofreu qualquer tipo de violência durante a produção das mesmas.

Nota 2: esta semana mais padrões de sacos.

…e mais Monstras

na foto, 4 monstras. A maior é só mesmo minha!

feitas da mesma forma destas galinhas, nas mesmas tardes quentes mas com brisa de Ubud, com o mesmo chá pelo meio e a conversa em frases com verbos no infinitivo.

 

ficam aqui sossegadas à espera que alguém as leve para casa.

na barriga, escondida, não há meninos que se portaram mal, mas apenas um saco para o que der e vier, no mesmo espírito deste

as tais monstras

já tinha prometido falar delas
acho-as tão tão feias que acabam por ser irresistiveis.
e como todas as mulheres, monstras ou não, também têm segredos.
mas estas abrem-se:
e olhem o que lá está dentro:
o saco é feito de pedaços de tecidos tradicionais javaneses
os vestidos das monstras têm pedaços de velhas sedas
e sabem para que são mesmo mesmo úteis?
não me ocorre nada de momento…
mas se as não tivesse feito acho que as teria mesmo de comprar!!!
2 disponiveis

…pra lisboa

 

Há dias em que apetece fazer tudo à mão. Pegar em qualquer coisa, fio, pano, botões e construir um objecto sem que mais nada possa interferir.

Há dias em que o nosso desejo ou a frustração de não conseguir controlar o que nos rodeia, ou o que nos afecta, ou o que interfere com o nosso trajecto, nos leva a pegar em fio pano botões e construir um objecto onde controlamos todos os passos.

Sem máquinas de costura a desviarem-se para o lado que lhes apetece, sem bobines que não bobinam, sem agulhas que paralisam.

Não, tudo assim na ponta dos nossos dedos. A crescer, a ganhar cor, a ganhar forma ou desforma.

Mas a brotar como se fosse Primavera. E com joaninhas a trepar até chegarem lá ao cimo que não se sabe bem onde é, porque um cachecol é coisa mais ou menos redonda, mas que quando lá chegam abrem as asas e voam.

Voam.