Autor: Carla

  • da artista…

    a obra:”Capuchinho Vermelho no Bosque Assustador”

     

    a apresentação pública da obra:

     

    Maria, a oradora principal em pleno discurso:

     

    a foto oficial para os media:

  • de recados…

    Eu queria dizer a esta senhora que tem um blog simpático com um banner fantástico do Indigente Andrajoso, que eu só não roubo porque daria imenso nas vistas,  que lhe deixo aqui este recado dado ela não ter comentários abertos.

    e o que lhe gostaria de dizer é o seguinte: por mais que partilhe a opinião de que não é bonito bater nos homens e de que em alternativa levá-los ao suicídio poderá ser de facto uma opção plausível e que evitará uma série de procedimentos burocráticos a nível dos tribunais que não convirão a ninguém, que acabarão por entupir ainda mais o sistema e criando desnecessariamente heroínas entre o pessoal das penitenciárias, pois por mais que acredite e defenda isso, julgo que não será muito bonito, ridicularizar os pobres que levam porrada em casa.

    Tendo em conta o universo das relações heterossexuais em que existe abuso físico perpetrado pela mulher, na sua maioria as vitimas possuem cabedal superior ao da fêmea. Não são amaricados. Recusam-se simplesmente a responder com violência a uma situação em que sabem que ao optar por fazê-lo sairiam facilmente vencedores. Ao invés, preferem acreditar no sistema e dirigem-se ás esquadras e apresentam queixas entre os sorrisos de quem as recebe.

    eu pessoalmente acho que esses são muito mais homens do que os outros. mas isto são manias minhas…

  • da memória…

    Lembro-me de ter 6 anos e lembro-me do que me lembro dos 6 anos.
    Se até lá a memória era fluida e os acontecimentos ficavam gravados de uma forma mais ou menos aleatória, aos 6 surgiu uma espécie de maturidade da memória com detalhes e carimbos de sensações.

    Lembro-me do primeiro dia de aulas e da posição de quase todos os colegas na sala.
    Lembro-me das minhas canetas de feltro e do roubo do azul royal.
    Lembro-me do sabor do leite, do cheiro da mortadela, da menina mais velha que me atava os sapatos. Do tom de voz do professor para o menino com necessidades especiais. O horror dos intervalos, a amiga imposta, o fim das aulas de judo, a troca de carteira na sala de aula e a tristeza de ver a menina de quem mais gostava longe de mim.
    Os desenhos feios, o professor agressivo, a régua. Os carimbos com passarinhos, o quadro preto, as poças no recreio, as mãos farruscas esfregadas na cara no tempo das castanhas, o meu irmão bebé, a minha bicicleta verde, o caminho para a escola, a montra da Havaneza com a pasta do Becas e do Egas… a televisão na cozinha, os Domingos com os avós sem sair de casa, Superfresco de ananás, leite de chocolate UCAL, omoletes de atum na merenda da senhora da limpeza. Uma tia-avó de buço, numa casa que parecia de bonecas, aparas de hóstias em saquinho de plástico, a camisola verde de lã que picava, falta de dentes, a colcha amarela…

    E agora, estes anos todos depois, sinto um frio no estômago quando o recordo. E não sinto saudade.
    E agora, estes anos todos depois, chega a vez dela…e não estou entusiasmada… E a sensação que fica é de que tudo é demasiado breve. Mas demasiado longo na memória que deixa.

  • de BLOG ACTION DAY…

     

    O Blog Action Day de este ano, 15 de Outubro, foi lançado hoje e terá como tema a Pobreza.

    À semelhança  dos anos anteriores, os bloggers são convidados a divulgar a iniciativa e a envolverem-se de formas diversas desde a adopção do logo, ao donativo de um dia de trabalho, a ser voluntário fazendo traduções para a organização ou comprometendo-se a desenvolver o tema através de um post no dia 15 de Outubro.

    Depois do prémio Nobel da Paz ter sido oferecido a um activista do micro-credito, é bom constatar a associação da Organização ao KIVA de que já tinha falado aqui antes.

    Para se associarem à iniciativa, basta clicar no logo no canto superior direito desta página ou na foto deste post.

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    food for thought; sempre bom revisitar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio e passar os tradicionais breves segundos de pasmo pela complexa humildade dos mesmos. 

  • de How not to be seen…

    estranhamente, confesso, esta foi sempre a minha cena favorita!

    e hoje encontrei-a!

  • de espíritos…

     

    Combato a insónia com um pouco de TV, na esperança de cansar os olhos.

    Passa uma reportagem sobre Avós Adoptados ; sobre famílias de acolhimento. Mas famílias de acolhimento para idosos. Um programa que existe há cerca de 20 anos e que ninguém conhece.

     Numa das casas uma velha acolhida viúva há 10 anos, fala no marido no presente e diz:

    -Ele morreu. Foi enterrado, fez-se o funeral e passados dois dias apareceu-me lá em casa á noite e pronto, voltou. Morreu só dois dias.

     

    Insinuam-na senil.

     

    E eu cheia de Allendes e Marquez e Chilóes na cabeça, acho isto muito natural.

     Acho natural que um homem sem filhos que viveu toda uma vida com uma mulher, ao 2º dia se aborreça de estar morto e volte para ao pé dela.

     

    E que só assim o amor faça sentido.

  • de alfazema…

     

     

    saudades do cherinho a alfazema…

    das gavetas que se abrem e soltam cheiro a avó…

    depois de ver o coração da Techamama, não resisti e fui fazer os meus…

     

  • de heat packs…

     

    uma nova leva nos padrões habituais. Disponiveis AQUI.

    para as maleitas do costume…

  • de Mimi Farina

     

    ao Mux, apolítico, à Bolivia em processo…

  • de fatalidade…

     

    – porque és tão linda, minha querida?

    – não sei! olha, nasci assim, percebes?

  • de macaca…

     

    nunca me tinha apercebido de que a macaca é assim uma coisa muito parecida com a vida.

    ha umas pedras no caminho, tenta-se passar-lhes por cima, de preferência sem pisar o risco.

    e ao baixarmo-nos para as apanhar, o segredo é tentar manter o equilibrio…

     

  • Brandi Carlile – The Story

    imaginava a miúda assim de meia idade, de cigarro numa mão e copo na outra.
    imaginava a letra melhorzinha e agora que lhe prestei atenção é uma baboseira comum de atravessar montanhas e rios por ti por ti porque fui feita para ti.
    maas com uma interpretação destas e um figado aparentemente em condições, perdoa-se-lhe.
    saudades do marquês da sé em finais de 80…

  • de aniversário…

    hoje faço anos.

    muitos.

    gostei deles todos.

    já recebi prendas.

    gostei delas todas.

    e desta também!

  • de não há nada como a nossa casinha…

    Frei João Rabão, hamster de dente afiado nascido numa gaiola humilde de uma loja de animais na província, transitou para este lar numa gaiola de viagem com a promessa tipicamente Portuguesa de que seria temporária.

    Algum tempo passado e sem alteração a nível logístico, o pobre constrói um ninho fabuloso constituído essencialmente por restos de batting da Retrosaria da Rosa, dentro de um cubo com entradas por vários lados, que se não estou em erro teria sido um brinde numa pizzaria qualquer e que em principio serviria como suporte para lápis.

     

    Os dias eram passados no seu interior em repouso completo sem contacto com o exterior.

    Gente bem intencionada, resolve oferecer à criança proprietária do bicho, não uma simples nova gaiola, mas sim uma senhora gaiola com tubos que saem por todo o lado, imensas cores, uma espécie de biberão para a água e mais muito mais importante que isso, em anexo, uma torre de 3 pisos com ameias!

     

    Frei João Rabão, o hamster de dente afiado nascido numa gaiola humilde de uma loja de animais na província, foi transferido para as novas instalações com pompa e circunstância. E como havia castelo ele foi coroado rei e passou a ser chamado de Rei Frei João Rabão.

    E 6 ou 7 adultos de áreas diversas e semi-complementares (engenharia civil, informática, geografia, física, enfermagem, matemática e sociologia) dedicaram um período significativo da sua tarde de sábado a lançar palpites diversos sobre as alterações a fazer à estrutura de tubos e percursos.

    E mais ou menos em silêncio incitava-se o recentemente coroado rei a passar de uma encruzilhada para a outra, a explorar uma subida e uma descida, assim como se a média de idades não fosse muito superior à da proprietária…

     

    E chegou a noite, e todos se recolhem mas por volta das 4 da manhã eu levanto-me e verifico que o Rei tinha chegado ao terceiro piso da torre onde o aguardava uma reserva extra de batting. E fui dormir descansada e feliz por ver um pobre a subir na vida assim, sem grande esforço.

    De manhã quando acordamos, damos com o Rei de costas voltadas. E a proprietária ao tocar-lhe sente-o frio.

    Morreu.

  • de velhas e pássaros…

     

    diz que é uma velhinha, tem um gato, faz sopa (mas que não a come), e tudo tudo em redor é dela!

    que passa os dias ali sentada e que de vez em quando levanta os braços e agita-os para afastar os pássaros.

    estes pássaros não falam.

    mas são incomódicos!

     

  • de sono…

     

    Acordei ás 6.30 da manhã de supetão.

    A parte superior do corpo ergueu-se sem eu ter noção de ter usado ou não as mãos como apoio.

    Virei a cabeça para o lado esquerdo e vi a luz do dia e senti o ar fresco da madrugada em forma de brisa a agitar suavemente as folhas da cerejeira.

    Inspirei.

    Vi a teia de aranha que se formou durante a noite.

    Expirei.

    Virei novamente a cabeça e olhei para a parede branca em frente e subitamente, assim como se fosse um clique, assim como se estivesse na água prestes a afogar-me e a vida me passasse pela frente em meras fracções de segundo como nos filmes não-europeus, assim subitamente, consegui identificar todas as más decisões que tomei na vida, o porque foram más, o quando começaram a ser más, o porque se tornaram más. E dava a sensação que as seguia com o dedo como se fizesse a decomposição de uma frase em árvore, a esquematização de um projecto, como se seguisse um mapa de estrada com todas as pequenas aldeias e lugarejos identificados.

    E sucederam-se os rostos, as paisagens, as reuniões, as paixões. E em cada uma das situações que visionava eu podia com o indicador precisar com exactidão em que momento se deu a mudança. Como se fosse uma complexa rede rodoviária e o dedo apontasse todas as intersecções.

    E aquele momento de clareza trouxe-me uma paz e uma angústia e um sossego agitado. E a sensação de finalmente ter percebido o meu trajecto, o porquê do meu trajecto, o sentido de cada angústia, o papel de cada pessoa que se cruzou comigo, ou a ausência dele. E vi os rostos daqueles em quem não vou investir mais, e vi os rostos daqueles por quem perdi o respeito, e vi os rostos daqueles a quem me cansei de perdoar e tentar entender e senti-me especialmente forte. Pela primeira vez senti-me imbatível.

    Não imbatível de uma forma arrogante, mas imbatível porque consciente do que sou, do caminho que fui traçando entre o desejo, o plano e o acaso, dos meus grandes fracassos, dos meus pequenos sucessos, fui sempre eu toda e inteira, sofrendo com a mesma intensidade com que vivi a alegria, com a mesma sofreguidão com que como um prato de pene e salmão fumado com molho de vodca.

    E adormeci novamente.

    E o segundo despertar foi igual ao dos outros dias.

  • do ballet…

    foi o D.Quixote e ela uma espanhola.

    perdida ás cores no meio das outras, passinhos memorizados

    e depois quando o grupinho dela sai do palco, o tédio até se chegar ao fim.

    porque eu só lá vou para ver a minha menina. sou uma mãe do tipo anal.

    e num teatro apinhado de gente, sem qualquer circulação de ar, num município onde se contratam escolas de samba com meninas em fio dental, à chuva em Fevereiro, para animar desfiles de carnaval de crianças e Quim Barreiros para encerrar as festividades anuais, ninguém acha importante manter a única sala de espectáculos em pleno Verão, com uma ligeira brisa… assim muito ligeira que fosse. uma brisa…