Autor: Carla

  • de…

    eventos recentes comprovam que há uma linha muito muito ténue que nos separa do outro lado. e vamos andando andando e subitamente não sentimos nada debaixo dos pés e a linha foi atravessada. e os outros procuram-nos e já não nos vêm e ainda há tão pouco estávamos ali.

    na despedida da mulher-mãe que partiu esta noite que passou, ficou-me na mente a frase da S. :” que tenhas uma linda viagem”, e gosto de imaginar a Zé, com quem nunca tive intimidade, mas que fazia parte dos meus dias e de todos os que partilharam anos em Dili, dona da barca, em grande estilo, loura, linda, senhora do seu nariz a pôr definitivamente em pratos limpos essa história do sexo dos anjos.

    e se alguém me disser que ela voltou para contar, eu acharei perfeitamente natural. porque as pessoas estão vivas enquanto são lembradas e algo me faz concluir que esta Zé vai durar muitos muitos anos.

    Descansa em paz.

  • de outra vez…

    quando iniciei um bem intencionado, mas falhado,  processo de aprendizagem do Tetum nos anos 90, muito mal acompanhada pela P., e ensinada por um professor muito pequenino que de tão feliz por ter gente a fazer perguntas sobre Timor, se esquecia de nos ensinar e constantemente interrompido por uma miuda irritante que a cada 10 minutos nos lembrava que “o meu noivo é Timorense se eu for ao mercado como é que pergunto o preço da alface?” (dolar ida miuda, ou fifticens num dia bom), bem, nessa altura aprendi uma musiquinha que achava eu na minha ignorância que se foi ensinada pelo professor – que se punha em bicos de pés nas tónicas – é porque seria coisa muito tradicional…

     

    lógico que na minha boa fé e apesar da fraca memória para a letra (era sobre uma carta?) fui fazendo lalalala à menina no espírito de fomentar as raízes…

    hoje deparo-me perante 10 anos de engano…

    a canção é de facto tradicional… mas Maori… da Nova Zelândia…

    apesar de tudo, fala na mesma de amor… ,enos mal…

  • de manias…

    começa-se com uma sensação de rubor. assim como se fossemos púdicas e alguém nos falasse em dívida pública. depois surge o incómodo. não se sabe de quê ou com quê. é um incómodo geral. depois chega uma comichãozinha. coisa leve e tentamo-nos a observar no espelho e descobrimos uma borbulhagem quase púrpura, mal distribuida e a coisa espalha-se. chega ás costas, ao peito, náuseas,  mas apesar de tudo adormece-se. depois  acorda-se a meio da noite, ou antes disso, mas convencionou-se que quando se acorda antes do amanhecer estamos a meio da noite, e não se respira devidamente.

    tenta-se apanhar todo ar em grandes golfadas, mas não resulta. e a solução é ficar muito quieta, tão quieta que dê para enganar o corpo convencendo-o que não precisa de muito oxigénio… e com cada inspiração chega a memória da primeira vez; e revejo as cortinas brancas com bonecos pequeninos, a colcha amarela em quadrados de lã tecida, a posição da cama de ferro e o levantar-me a correr para abrir a janela e tentar respirar.

    e lentamente a coisa acalma e volta-se a cair no sono, ainda muito quieta, enrolada na mesma posição. muito muito quieta. de manhã acorda-se já a respirar normalmente, mas o corpo, aborrecido com o truque fácil da imobilidade, vinga-se com um pescoço que se recusa a mover.

    e anda-se assim, com o pescoço em posição de quem tem saudades do ontem.

    e no dia seguinte a coisa repete-se.

    e tudo, tudo por causa da maldita espetadinha com carne de porco…

    Porco!

  • de descoberta…

    (foto a despropósito)

    Pensamento do dia:

    As calorias são pequenos animais que moram nos roupeiros e que durante a noite apertam a roupa das pessoas.

  • de pornocracia…

    pornocracia

    sobre a polémica deste fim de semana tenho a dizer, como mãe de uma criança do sexo feminino, que esta imagem não constitui de facto um bom exemplo.

    todas nós sabemos que aquela trufa, faria melhor figura, se devidamente aparada com uma depilação básica.

    a haver alguém com direito à indignação, esse alguém deveria ser um sindicato que proteja a reputação e profissionalismo dos técnicos de estética e afins.

  • de verborreia…

    acho esta discussão sobre direitos dos casais homosexuais hilariante.

    acho extraordinário que meia dúzia  se sintam no direito de definir como muitos mil podem organizar a sua vida emocional.

    e não vou falar disso porque como habitualmente o Tio Verme resume tudo de forma brilhante.

  • de e já está…

    O random.org – um gerador aleatório de números, escolheu o número 11! E eu mostraria a prova se soubesse como é que se copia aquilo e se cola a imagem aqui.

    Ainda tentei criar o widget e copiar o html mas o wordpress ficou com soluços….

    Ana Morais!

    Envia-me o teu endereço postal para carla arroba vendinha ponto net.

    Eu confesso que gostei imenso disto e acho que tenho que repetir a experiência…

  • de give away…

    eu achei sempre muito estranho essa coisa das pessoas decidirem oferecer presentes na condição de os outros as lerem.
    depois achei impressionante a quantidade de gente que mesmo sem saber o que sai dali, agitadamente comenta comenta comenta.
    até que num dia, ao passear por uns blogs de quilts encontrei um onde a encantadora proprietária estava a oferecer o quilt mais amoroso que eu vi até hoje, todo cheio de detalhes e coisinhas e isto e aquilo e ainda por cima em tamanho para cama de boneca.
    e claro, devo ter escrito qualquer coisa tipo pick me pick me!!! mas nada aconteceu…

    e a coisa foi-se repetindo… não exageradamente… mas pronto… nuns 3 ou 4 sítios!

    e apesar de não seguir a filosofia de que de graça até injecção na testa, acho que neste início de ano me cabe o gesto de boa educação de dizer a vocês que passam por cá, manifestando-se ou não, e que vão deixando mensagens e enviando emails (e os interessantes laços que fui criando com gente que nunca vi e com outras que entretanto tive a oportunidade de conhecer), que gosto de vos cá ter. que gosto mesmo muito de vos cá ter.

    e seguindo a lógica de que quem vem cá a casa de visita leva sempre alguma coisinha, não vejo porque aqui deveria ser diferente.

     

    assim, está decidido!

    encontra-se aberto o primeiro give away do Great Craft Disaster! O/A selecionad@, receberá algo feito por mim, na linha do que habitualmente é feito – mas nada de heat-packs!!!!

    Talvez um urso… Talvez uma capulana quiltada…

    A ver vamos.

    Deixem aí o vosso nome até dia 18!

    Que tal?

    (Resta a esperança de escapar à vergonha de ninguém se manifestar!!!!)
  • de…

     

    deixem-me dizer-vos, eu muito hip mum ando há quase um ano a cantarolar à menina “Maggie uh uh uh nan nan nan nan nan nan Maggie uh uh uh” assim tipo como quando se é miuda e se inventa o inglês. e ía-me esquecendo dia após dia de descobrir de quem raio era isto e de fazer o download ilegal ou algo no género de forma a aprender mais do que uma frase.

    mas como nem nunca tinha visto o clip (sim eu sou dos anos 80), nem ouvido a musica completa, quando pensei em finalmente o fazer fui por tentativas – ora quem poderia ser? os BSS? não… a voz lembrava quem? o olavo bilac… poderá isto ser português? mas tem um toque assim de will.i.am. e lá fui escrevendo maggie e alternando com nomes e nunca lá cheguei.

    ora hoje de manhã, de chávena de chá na mão e adoçante e porque sou muito cool, lá ligo a MTV e estavam uns meninos a cantar a Maggie, que afinal não é MAggie mas “beggin”. a coisa não começou muito mal, os meninos iniciam o clip a jogar Halo3, mas a coisa evolui e acaba com a miuda a beber leite de gatas com a língua… enquanto o Tshawe Baqwa grita:
    Beggin, beggin you
    Put your loving hand out, baby
    Beggin, beggin you
    Put your loving hand out darlin

    um dia, ela vai crescer, e numa tarde de enfado liga a VH1 num program de Smells like 09 e sufoca de espanto ao concluir que a mãe lhe cantava isto em pequenina…

    e assim se constroem memórias e destroem reputações…

  • de o que temos feito…

    nem pouco nem muito…

    umas doenças…

     

    umas audições de piano…

     

    mais umas MOBrincadeiras

     

    mais umas doenças…

     

    e um quase tudo bem!!

     

    a ver se nos aguentamos assim!!! 🙂

  • de quase de volta…

    no rescaldo das gripes, pneumonias e cólicas renais. regressamos brevemente… se não aparecer qualquer outra coisa, claro…

  • de o rio da minha aldeia…

    a minha piquena é apaixonada por musicais e merecedora das melhores surpresas e como tal resolvi contactar a produção de um desses espectáculos da Broadway mais ou menos na esperança que eles enviassem material de promoção ou algo no género, qualquer coisa que ela colasse na parede ou enfiasse pela cabeça e a deixasse histericamente feliz – o que não é coisa dificil.

    Assim lá enviei um email e porque sou caridosa e não gosto de vexar ninguém expliquei-lhes que era da Europa e não mencionei Portugal porque qualquer alma sabe que os Americanos são pessoas muito ocupadas e por vezes não lhes sobra tempo para olhar para o mapa na sua totalidade.

    Recebi prontamente resposta e a responsável pelas Relações Públicas lá do sítio simpaticamente informou-me que de facto não têm espectáculos agendados para o meu país – a Europa – que sempre sonharam fazer digressão pelo meu país – a Europa – e se eu vivia na capital e se era quente ou fria – a Europa e se era dificil aprender Europês.

    Eu, no mesmo espírito caritativo que me fez não mencionar Portugal respondi-lhe com igual simpatia e expliquei que por cá – na Europa – de momento faz frio, também estamos perto do Natal mas lamentavelmente já não vivo em Lisboa, a capital da Europa e que de facto o Europês a que normalmente chamamos Português, não é uma língua fácil de aprender.

    Agora sinto-me um bocadinho culpada…

  • S. Nicolau

    e a seguir a tradição dos outros anos, o S.Nicolau trouxe um presente de uma crafteira Portuguesa.

    Este ano, uma Lolita fantástica da Carla Fadas & Princesas.

    A mim, nada…

  • de neve niege snow e instruções de utilização…

    pois nevou por aqui!

    a minha filha tropical, habituada ao sol de vários pontos da ásia, ao mar de vários pontos da ásia, porque a mãe só a passeia por lá, sobe a serra a repetir “eu não acredito, eu não acredito, nunca em toda toda toda a minha vida (uns loooooongos 6 anos) vi neve, isto é neve é neve…

    e agora prestai atenção:

    sim, se forem detentores de uma criança de 6 anos que anseie por fazer anjos na neve (parece que o ruca ensina os miudos estas coisas), vistam-na com várias camadas de camisolas; a interior fofinha com um dinossauro rex, a de gola alta rosa e macia, o camisolão em rosa semi contrastante e a inicial dela gigantesca à frente, não vá ela esquecer-se do próprio nome, e por cima de tudo isto o anoraque de tons muito selecção olimpica da europa de leste nos anos 80, mas muito eficiente dadas as sucessivas camadas que intercalam tecidos polares com muitos fechos e molas e coisas que se tiram e põem, oferecido pelo tio-avô e importado directamente dos EUA. Enfiem-na dentro de umas meias calças super quentes e com riscas coloridas em que pelo menos uma repita o tom da camisola. Por precaução calcem por cima umas meinhas pequeninas só para reforçar o pézinho (cuidado com a selecção da cor – sempre mas sempre num tom que se repita na meia calça – nesta caso optou-se pelo amarelo), dado que as botas da Crocs que lhe pretendem calçar, serão 100% impermeáveis mas muito muito frias. E agora atenção a este detalhe: nunca em momento algum vesti à vossa filha, aqueles jeans tipicos da benetton com ganga muito forte mas muito curtos na perna. A boa intenção da ganga forte e mais quente perde-se na totalidade quando combinada com os ditos crocs. Apesar do objectivo principal ser meramente estético – é importante que se vejam as riscas contrastantes no espaço entre a calça e a bota dando o toque Pipi – um pequeno detalhe ficou esquecido vindo mais tarde a ter consequências catastróficas; esta gente de palmo e meio (elas aos seis anos têm tendencia a ser assim do tipo mais rasteirinho), quando caminham ficam muito próximas do chão. Ao correrem, têm tendencia a aproveitar o espaço entre a perna da calça e a bota   – que não está coberta por umas quaisquer calças compridas  esteticamente incorrectas – enchendo a dita de neve. Esta neve por sua vez vai sendo calcada firmemente pelo pé permitindo que se vá criando um envelope de gelo em volta do pé da criança, fixando-o à bota e retirando-lhe qualquer sensibilidade.

    frozen-feet

    A criança terá tendência a queixar-se – o que na verdade é uma grande pieguice porque na realidade já não sente nada.

    Mas se pretender ser piegas e estragá-la com mimos, dispa-a da cintura para baixo e torça a roupa, descalce a sua cunhada e calce-lhe as meias dela. Vá ao jeep da frente que estranhamente guarda um saco cama no porta bagagens, e embrulhe-a nele.

    E pronto, definitivamente Crocs não serão uma boa opção, apesar da marca não fazer qualquer referência a neve nas indicações de utilização, o que para mim é uma falha gravissima…

    À noite esta minha filha deitou-se e como uma velha repetia “eu nen acredito nem acredito em todo toda toda a minha vida nunca tinha visto neve. Nunca… e sabes, mamã, as meninas também podem ser piratas não é so serem princesas“. Escapa-me a lógica, mas a hipotermia provoca estranhos efeitos…

    Nota: nenhuma marca patrocinou este post, mas estamos abertos a propostas.

    Bonus photo: abaixo foto exemplificativa da melhor forma de sacudir neve do corpo de uma minorca.

    sacudir

  • de o rei vai nú?…

    Tenho com Timor uma relação diferente da maioria das pessoas que conheço por duas razões; essa e a outra.

     – A outra porque dediquei grande parte do tempo em que deveria estar a decorar teorias de Durkheim, refinar o discurso académico e justificar o dinheiro investido no ensino privado, a trabalhar a nivel nacional e internacional, a questão da autodeterminação através do Movimento Associativo. Muitos anos antes da coisa realmente acontecer.

     – Essa, porque tenho uma filha Timorense, que herdou uma história de luta vivida por cada uma das mulheres da familia dela, que lutaram e morreram ao lado dos homens.

    Amo Timor como se ama um filho travesso.

    À minha filha ensinei a dizer que sente orgulho por ser Timorense. Ensinei-lhe o 12 de Novembro, versões ingénuas dos conflitos dos ultimos 2 anos, a reconhecer o cheiro da terra molhada depois das primeiras chuvas, do café ainda em planta, da canela raspada da árvore. A temer corcodilos e tubarões na água, a gritar quando vê um escorpião, trincar amendoim caramelizado e sate de coração de búfalo… e tudo isto para que ela crie uma dupla identidade em que não haja lugar há supremacia de uma cultura sobre a outra, dentro dos limites do possivel, do razoavel e do viável; moldado pelas minhas próprias limitações…

    Recusei empregos que me providenciariam dinheiro que me faz muita falta, por ter consciência de que um dia quando ela crescer, terei que lhe justificar cada um dos meus envolvimentos profissionais como afirmações de carácter politico. E sei que não teria forma de encontrar justificações válidas.

    Hoje o M telefona-me a chamar-me a atenção para o artigo do Pedro Rosa Mendes no Público. E lêmo-lo em conjunto ao telefone.”Timor-Leste; a ilha insustentável”.

    Não conheço o Pedro Rosa Mendes, nunca convivi com ele em Timor, nunca o vi sequer e não tenho qualquer referência sobre a razão que o terá levado a escrever um artigo daquele género. No final fica a sensação de que nada do que diz é novo e tudo o que escreve o é. A novidade do artigo reside na ortografia do discurso. E é como se cada conversa no bar do hotel tivesse sido passada á escrita. E isso traz consigo a tristeza enorme que advém do fim de um estado de negação, e da consequente perda da inocência. E eu fico sem saber decidir se o acho corajoso, destemido ou simplesmente inconsequente.

  • de simpsonizada…

    carla-simpson

    porque nunca digo não ao rapaz do enfado mesmo que seja uma corrente!

    e passo-a ao ordep, à pepe, e à Isabel, que me parecem ser os únicos capazes de dar continuidade à coisa sem chamarem nomes feios à minha progenitora.

    ide aqui e simpsonizem-se!

    e by the way, notem como estou mais magra na foto!!!

  • de e ainda mais uma…

    a pilha de quilts acumulados lentamente a chegar ao fim…

    esta feita também a partir de uma capulana e 100% feita à mão…

    ufa!

    a coisa até saiu direitinha, mas ainda não houve paciência para a passar; hence as engelhas. Voila!