Autor: Carla

  • de pronta também…

    na capulana diz: “Hata Bado Hujasema Utasema Sana” que significa simplesmente “mesmo antes de falares vais já dizer muito”

    pois é…

     

  • de queremos uma…

    andreia

    descobri via ordep, um novo projecto que promete coisas deliciosas para os pequenos brincarem.

    por cá já temos esta que chegou no Natal, feita pelo Thomas.

    mas esta ilha, esta ilha…

    o fogão, o lava louça, a madeira, o pouco espaço que ocupa…

    e o Natal tão perto…

    mais detalhes, no site do AtelierMob

    Parabéns Andreia! está irresistivel!

  • de para o advento/advent calendar…

    à semelhança do ano passado e by popular demand, o calendário do advento.

    este ano com tecidos diferentes.

    lindos de olhar chaaaaaatos de fazer!!!

  • de pronta…

    demorou… mas a capulana está quiltada e quente e linda!

    acho eu, claro…

    one down, three to go!

  • de “I have seen the Promised Land”…

    esta noite os meninos negros na América, adormecem sabendo que o céu deixou de ser o limite quando se chega ao cimo da montanha e finalmente se vê a terra prometida.

    a terra prometida não tem mel como a da Biblia; tem justiça social e uma mensagem de igualdade onde se deixa de falar em raça e se trabalha a unidade.

    a terra prometida precisa de se estender pelo mundo e de o tingir e de chegar até aqui.

    e nessa noite as meninas castanhas, adormecerão sabendo que o céu deixou de ser o limite quando não se acorda todos os dias a desejar que ninguem lhes note a cor.

    a audácia da esperança é também isto.

    it´s not just the economy, stupid

  • de de volta aos trapos…

    novidades mais logo…

    a ver vamos!

  • de que pequeninos nós somos…

    a mãe snobada, loura apenas em determinadas zonas capilares, de manicura Francesa e ar afectado fazia os trabalhos de casa da filha de 7 anos enquanto esperava o inicio da aula de ballet.

    a criança ía dando a indicação das cores que queria na decoração da página e a mãe pintava.

    a certa altura diz a criança:

    – pinta o cabelo do menino de castanho.

    – qual menino? este chinoca? – pergunta a mãe

    – o que é um chinoca?

    – é um chinês, é o que nós chamamos aos chineses. chinocas!

    e monhés aos indianos, minha senhora?

    e macacos aos pretos?

    e porque fiquei eu calada?

  • de Ikue Asazaki – Obokuri eeumi …

    quando se procura Ikue Asazaki no Youtube, surgem uma série de intérpretes diferentes do obokuri eeumi que nos levam a uma série de outros temas que justificam na totalidade a razão porque os meus amigos japoneses fazem pão de ló igual ao da avó e percebem, melhor do que eu, o sentido do fado.

  • de que pena não termos vizinhos…

    o problema logistico surgido na época de namoro felino anterior encontra-se, julgo eu, em fase de resolução:

    – a menina iniciou hoje as aulas de piano e trouxe trabalhos para casa…

  • de growing pains…

    agora que está na escola, e que por lá ficará por mais 12 anos – até ser dada como crescida e eu cheia de orgulho a ir fotografar a cair de bêbeda num cortejo académico – agora, vive-se de coração nas mãos.

    Ou melhor, eu vivo de coração nas mãos. Numa aflição tremenda tipica de quem faz isto pela primeira vez e quer equilibrar o deixar crescer e encontrar caminho, com o interferir porque a caminhada é sinuosa.

    Hoje, cheguei brilhantemente, sozinha, por volta das 6 da manhã, à conclusão de que será preferivel ralhar à minha filha por andar a dar porrada nos outros, do que consolá-la por ter levado ela porrada. Porque agora já não são os empurrõezinhos do infantário. É murro e pontapé.

    No caso dela, pontapé em grupo.

    agora que está na escola, é muito pouco interessante observar a teia de solidariedade que surje já em rascunho entre os meninos, a temperamentalidade e fluidez das relações entre as meninas e a forma como este micro-cosmo representa tão precocemente um mundo para o qual – aos 6 anos de idade – eles ainda não se deveriam estar a preparar.

  • de completa…

    há muitos anos atrás em Londres, conheci o pequeno Henry – um cruzamento feliz entre Inglaterra e a China – com 3 anos de idade. Durante as duas semanas que estivemos juntos vimos repetidamente o “Snowman” em video, à noite antes de dormir. E ele agarrava-me com a mãozinha papuda e explicava-me, num Inglês muito melhor que o meu, que o boneco ía derreter e tentava tapar os olhos com a mão que lhe restava, sem nunca me largar. Apaixonei-me pelo filme e acima de tudo apaixonei-me pelas emoçoes que despertava num ser tão pequenino.

    Meses mais tarde recebi no escritório, como prenda, o filme. Lembro-me que fiquei muito quieta com ele na mão, sem saber porquê.

    E depois guardei-o. Durante anos. De vez em quando pegava-lhe e fazia fw até a cena do vôo. Fazia-me triste e desligava-a.

    No primeiro Inverno da Gui, apresentei-lho. Quando o viu a segunda vez apertou-me a mão e disse-me aflita que o boneco ía derreter e tentou tapar os olhos com a mão que lhe restava.

    E fomo-lo vendo repetidamente até o cenário de neve deixar de fazer sentido e a versão improvisada em DVD ter desaparecido.

    Hoje reencontrei a parte do vôo no Youtube.

    Mostrei-lha. Fê-la sentir-se triste e tive que desligar.

    Há dias em que sinto que não me falta nada…

  • de ausência…

    um dia, já depois das pessoas terem fugido da cidade e se concentrado em zonas que supostamente lhes ofereciam segurança, um dia ao regressar de Dili para Baucau com uma cassete nova a tocar no carro, comprada à pressa na rua na esperança de não vir a adormecer ao volante, assim um dia com o M ao lado que acredita no Deus Católico Apostólico Romano e fez disso profissão, um dia ao passarmos em Metinaro num final de tarde, com as pessoas a regressarem da cidade, com as janelas fechadas por segurança – seguindo o protocolo – num andamento lento muito lento, com olhos a seguirem-nos e a voltarem-se depois com uma indiferença ausente, com crianças sem uniforme da escola e tendas e tendas de roupa em 2ª mão, ouve-se uma voz no carro, e violinos e violoncelos. e a voz eleva-se e apaga os sons de lá de fora. e em câmara lenta, muito lenta, ouve-se inesperadamente o “Panis Angelicus”. E a voz diz-nos Panis angelicus, fit panis hominum; dat panis coelius figuris terminum O res mirabilis. E tudo era calmo, e triste e doce. E a voz eleva-se levemente enquanto passamos nas tendas com molhos de mostarda e flores de bananeira e a voz diz “manducat Dominium Pauper, Pauper, Servus et humilis, Pauper, Pauper Servus et humilis”, e ao fundo, lá ao fundo onde a estrada encontra o céu, tudo se torna vermelho e azul e rosa e sente-se Deus ali ao lado quieto, imóvel, limitado à contemplação. E as pessoas continuam a desfilar ao lado do carro, já cinzentas, ainda lentas –  Pauper, Pauper Servus et humilis  – e vão ficando para trás até se apagarem, cobertas pela noite. E Deus retira-se, sem a mesma subtileza com que entrou naquele carro.

  • de uma mão cheia de nada…

     

    ainda muito miuda, recebi da minha mãe um livrinho pequeno laranja com um desenho em preto na capa à moda de negreiros e um título “uma mao cheia de nada e outra de coisa nenhuma”. era de irene lisboa.

    dos contos não me lembro de nada. irene lisboa era uma pedagoga que tratava as crianças como seres inteligentes não se compadecendo com inhos e inhas na literatura. certa ou errada na abordagem, a verdade é que não resta memória da escrita, mas o titulo durante anos e anos incomodou-me.

    pequenos e repetidos momentos da infância foram passados sentada no chão em frente ao estirador do meu pai, no sitio onde o sol incidia com intensidade a uma certa hora. e repetidamente abria ora uma mão ora outra e tentava apanhar as partículas suspensas que os raios me permitiam ver. abria-as e virava as palmas para mim e não via nada. sabia que não tinham nada mas não as sentia cheias de nada.

    e apesar de conseguir entender o conceito do nada, não conseguia – e falta-me o termo e só me vem à memória o inglês – não conseguia “grasp” o conceito de abarcar com a mão a plenitude do mesmo.

    e fui crescendo e esquecendo a falta desse entendimento. e dei por mim em ocasiões diversas a virar as mãos para o sol, fechá-las e voltar as palmas abertas para mim, mecânicamente e sem memória da razão do gesto. e dei por mim de braço de fora no carro em andamento, a sentir a mão ondular com a velocidade do vento a tocar um tudo que se transforma em nada ao fechá-la.

    e de irene lisboa não ficou a memória dos contos do livro laranja, mas ficou a marca do exercício de tentar entender o que não carece de entendimento e de tentar materializar a grandeza do nada simbolicamente representado numa mão cheia. cheia de coisa nenhuma. como a vida de muita gente.

  • de bella ciao…


    por vezes por instantes sente-se que tudo tem que mudar. que as revoluções têm que voltar a ser feitas. as propriedades rerepartidas. o poder reredistribuido.o nepotismo expôsto. tudo isto sem memória mas com a determinação de quem sabe que 30 anos depois tudo terá novamente que mudar. que as revoluções terão que voltar a ser feitas. as propriedades rererepartidas. o poder rereredistribuido.o nepotismo expôsto, assim como se troca um bateria de telemovel que já viciou o processo de recarga…

  • de helping paw…

     

    Os TPC são mais fáceis quando se tem uma mão/pata amiga a ajudar…

  • de rejeição…

    – Mãnnnnn, acho que já ganhei coragem e amanhã vou dizer ao M que estou apaixonada por ele.

    -Mas, ainda só o conheces há uma semana, certo vale a pena esperar para ter mesmo a certeza… e se ele disser que não gosta de ti, vais ficar triste, não é?

    – Se ele disser que não gosta de mim vou brincar com as minhas amigas. Mãnnnnnnnn, tenho 6 anos!

  • de procura-se…

    mulher relativamente idónea (relaciona-se com esta familia – o que de todo não será uma boa referência), procura desesperadamente casa para alugar na Covilhã.

    se alguém for proprietário, queira por favor contactar a gerência deste estabelecimento!

    obrigada!

    RESOLVIDO!

  • de Schultüte

    Existe um certo tipo de mães que sempre abominei – as que fotografam quase tudo, inclusivé o primeiro cócó no bacio, e insistem em partilhar as imagens com todos aqueles que conhecem.

    À excepção do cócó no bacio, situaçao com a qual nunca lidei de olhos abertos, nem sem dedos no nariz, apesar do amor que dedico à menina, terei que admitir que me transformei num desses seres.

    No primeiro dia de aulas, eu, a menina, a avó e a tia (somos lamentavelmente uma familia pequena), fomos em Embaixada até à Escola. Ocupámos 4 lugares na segunda fila (não gostamos de dar nas vistas) e sacámos das duas máquinas fotográficas (porque possuimos alguma classe, coibimo-nos de utilizar câmaras de filmar).

    Tirámos apontamentos, gravámos números de telefone, endereços de email, listas de material, datas de reuniões, ofereci-me , assim sem ninguém me obrigar, como representante, enfim, um horror de motivação, entusiasmo, medo, pânico, alegria, histeria, típica (prefiro eu pensar) de quem se vê nisto pela primeira vez e exige levá-lo muito muito a sério.

    Mas, quem olhasse para estes Três Tristes Trastes (digam lá isto 5 vezes muito depressa sem se enganarem), assim em redor da pobre criança, a revezarem-se ao lado da cadeirinha dela – já na sala de aula, para tirarem fotos – nunca imaginaria que a loucura não se limitava áquele espaço, a loucura tinha começado muitas horas antes, numa vivenda não muito longe dali…

    Voltemos atrás: O dia amanheceu fresco permitindo vestir as roupas novas compradas segundo a tradição familiar, especialmente para aquele dia. A menina sabia que ía haver surpresa. Qualquer coisa antes da Escola começar. E que seria responsabilidade da tia…

    A Tia chega de olhos injectados (bebe, coitadinha? – pensam vocês. Não. Noite de turno no Hospital…) e começa a loucura…

    Voltemos ainda mais atrás: Alemanha, 1810 (mais coisa menos coisa), alguém se apercebe que o acesso à educação era uma coisa que valia a pena ser celebrada e que as crianças deveriam ver o seu primeiro dia de aulas – de sempre – como um marco. E assim, surge a ideia de pais ou avós oferecerem ás crianças no seu primeiro dia de aulas, no dia em que iniciam uma caminhada no sistema educativo, um cone de papelão com cerca de 85cm (schultüte), onde são colocadas pequenas guloseimas e materiais para a escola. Cada criança recebe o seu cone antes de ir para a Escola e leva-o consigo. Já na escola cada um abre o seu e descobre o que está lá dentro. diz-se que existe nas casa dos Professores uma árvore destes cones e que quando eles caiem, é sinal de que chegou a hora da escola começar.

    Por aqui aconteceu muito mais do que isso!

    Houve o Schultüte:

     

     

    Houve o bolo especial de chocolate:

     

    a abertura:

    as primeiras flores recebidas, e a tia Jana que de olhos vermelhos da noite por dormir (não, já disse que não bebe), transforma um dia especial numa coisa tão mágica que nos fez ir a todos nessa noite para a cama com aquela sensação de noite de Natal, de noite aniversário, em que não sabemos bem porquê, mas tudo parece mais macio, e o mundo e a vida e os dias uma coisa muito boa para se viver.

     

    Küsschen Tante Jana!

  • de dentes…

     

    desta vez a Fada dos Dentinhos trouxe uma Filarmónica.

    Só não tem o coreto!

    A Fada dos Dentinhos tinha planeado dar um músico por dente…. mas a Fada dos Dentinhos não se conteve e enfiou a Filarmónica completa debaixo da almofada….

    As Fadas são muito impacientes…

    Os músicos animaram a refeição…