…de preguiça

DSC03329às vezes venho ver o blog. Leio os ultimos textos e acho-os embaraçosamente ridiculos. Por vezes olho para as estatisticas e os números são pequeninos pequeninos…até faz pena!

É tudo tão relativo e frágil.

Este blog e o Blogui já foram tão importantes na minha vida e representavam uma parte tão significativa dos meus dias. Fiz amigos através dele. Amizades daquelas que não se querem perder e em que se sente a sorte de nos termos cruzado com estas pessoas. Através do blog pessoas conheceram outras pessoas e estabeleceram não só relações de amizade, mas também relacões de uma solidariedade incrivel.

Não escrevo aqui há um ano. E todas as entradas que leio são de um vazio de conteúdo que me faz questionar se não serão simplesmente um reflexo de mim e daquilo em que me transformei.

A vida muda-nos, não é? Ou as circunstâncias. As nossas circunstâncias. Há momentos em que sentimos que o que estamos a viver não deve ser partilhado. Quando o que vivemos envolve outros, por exemplo. E é tão marcado pela presença de outros que não podemos relatar os nossos dias sem os incluirmos, mas sentimos que não temos o direito de os expôr. Como o meu casamento, por exemplo. O Gonçalo é discreto. Não fala de si aos outros. Falar de nós aqui seria uma espécie de traição à forma dele estar na vida. E a Gui cresceu e tem o seu pequeno blog e o direito de escolher o que quer e não quer que seja partilhado. Mas curiosamente, e porque o Blog tinha um papel tão significativo na minha vida, ambos estranham não fazerem parte dele. O Blogui acompanhou uma Gui pequenina, o The Great Craft Disaster uma Gui a quem a mãe tentava fazer coisas. É um registo do processo de crescimento dela que eu poderia ter feito discretamente em casa num Álbum, num Diário, mas que por várias razões fiz aqui. Há um pedaço da vida dela que falta – 4 anos. Os últimos 4 anos, que foram vividos a 3 e não a 2.

Nestes 4 anos crescemos como familia e aprendemos a respeitar e a valorizar os espaços de cada um. Este é o meu espaço e é um espaço que me faz falta. Não faz falta todos os dias. Talvez não faça falta sequer todas as semanas. Mas faz falta quando faz falta e isso é o suficiente.

Quando fizer falta, virei cá…

de Natal…

natal

O Natal passou devagar, com tempo, com tudo feito a horas, com um menu que se torna lentamente tradição; pato lacado.

não se respeita a hora e abrem-se os presentes.

surpreendentemente conseguimos nos surpreender com as surpresas que encontramos escondidas nas lojas de Dili e que prontamente levamos para casa.

Na véspera vimos  “Life of Pi”a 3D, no novo cinema, em Dili…

eu disse a 3 D no novo cinema em Dili.

sim, em Dili!

Feliz Natal! Não sei bem a quem desejo isto porque ninguém conhece o novo url do blog. Mas ainda assim, Feliz Natal e paz na Terra mesmo aos Homens de má vontade.

3 D no novo cinema em Dili! 3D!

…de ursos outra vez

No período em que fazia activamente ursos, não trabalhava.

O primeiro urso que fiz com o tecido de uma saia de pêlo comprada num momento pouco inspirado deu-me um especial prazer. É o urso da minha filha e ela como boa menina que é fingiu durante algum tempo gostar muito muito dele!

Os ursos nunca me deram especial gosto a fazer porque não são fáceis. Requerem imenso trabalho e atenção e quando estão a ser montados, magoam imenso os dedos.

Esta semana voltei a fazer um para oferecer ao filho de uma amiga que fazia um ano. Apenas porque queria que ela percebesse que a data era compreendida como importante para nós. Estranhamente, as tarefas morosas deram-me um prazer enorme. O desafio de encontrar materiais básicos alternativos numa terra onde não há nada e o que há nao tem qualidade, transformaram por completo o processo. E assim foi feito um urso para o pequeno Kaito. E mais se seguirão sem que eu tenha a minima ideia do que vá fazer com eles. Mas ao fim de uma série de anos finalmente, e apesar de continuar a furar dedos ao montá-los, sinto uma enorme paz ao cortar e coser e picar-me. E sentia falta disso.

…de gata Tia

A pequena Tia apareceu nas nossas vidas no Sábado de Aleluia depois de um descuido meu em que mencionei ao veterinário local que gostariamos de ter um gatinho muito pequenino para o cão ter oportunidade de se habituar a ele e vice-versa. Nessa tarde recebemos um telefonema de um Hotel local a pedir para irmos escolher um bichinho ao parque de estacionamento. Depois de dois dias de Gui a dar instruçoes à amiga para se rebolar debaixo dos carros estacionados enquanto ela dava as ordens, o bichinho foi apanhado e trazido para casa enrolado num plastico.

Ao ser lavado descobrimos que era branco.

Come e come e come e rebola-se aos nossos pés para ser coçado na barriga. É menina e chama-se Tia. 4 meses passados continuamos a ficar eprdidos a olhar para o bicho e as posiçoes irreais em que dorme. Esta coisinha pequena é profundamente meiga e sem que ninguem desse conta, conquistou um lugar, ocupou um espaço. Por vezes esquecemo-nos que estas coisas acontecem. Alguem entra nas nossas vidas, seja bicho seja gente, e toma-nos conta do coração e não temos uma palavra a dizer durante o processo porque quando damos conta a coisa está feita!

Seja bicho, seja gente.

E por isso a vida vale a pena.

de memória…

Quando via as imagens do massacre de santa cruz nunca imaginei que um dia passaria por lá diariamente queixando-me do trânsito.

Por vezes o tempo relativiza o drama e esvazia as coisas da sua memória

Santa Cruz é um atalho para quem quer chegar a Bemori sem a atrapalhação do trânsito de Audian

Uma vez por ano Santa Cruz recupera o seu estatuto de simbolo de resistência e opressão.

Uma vez por ano não há alternativa ao trânsito de Audian.